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Trípoli
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outubro 2010
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Conhecida como Tarabulus em árabe e como Oea na antigüidade, Trípoli é a capital da Líbia, mesmo se nos últimos anos ocorreu uma tentativa de transferir alguns gabinetes do governo para outras regiões do país. A antiga 'noiva branca do Mediterrâneo' perdeu grande parte de seu esplendor original, presente parcialmente nas diversas mesquitas históricas e na Medina. Vista a sua posição estratégica, o Norte da África foi de grande interesse para duas potências marítimas antagonistas: a Grécia e a Fenícia. Os primeiros a desembarcarem foram os fenícios por volta do ano 1.000 a.C. Em 64 a.C., após as guerras púnicas, os romanos controlavam toda a costa. Durante a dominação romana, houve uma intensa urbanização que levou ao desenvolvimento de cidades como Leptis Magna. Naquele período, muitos cidadãos romanos tinham origens africanas, e entre eles um imperador: Septimio Severo de Leptis Magna que subiu ao poder em 193 d.C. Em 429 d.C. os Vândalos derrotaram os Romanos, mas não se apoderaram nunca completamente dos territórios africanos. Em 533, o general Belisário derrotou os vândalos e o território passou para os bizantinos. Com o advento do Islã, ocorreu uma verdadeira revolução cultural e, conseqüentemente, social em toda a região. No ano de 698 os bizantinos foram definitivamente expulsos pelos árabes, os quais construíram novas cidades ou reconverteram a urbanística existente. Na metade do segundo milênio, espanhóis e turcos também chegaram a esta região que dominaram alternadamente. Na verdade, toda a área foi comandada por soberanos e governadores semi-autônomos da Turquia. Trípoli foi por muito tempo refúgio de piratas muito temidos pelas frotas ocidentais, tanto é que em 1804 navios de guerra americanos foram enviados para combater este fenômeno. O plano, que faliu no princípio, permitiu eliminar definitivamente a pirataria em 1830. A partir daquele momento os turcos voltaram e dominaram de modo mais resoluto do que antes por 77 anos. A Argélia foi então ocupada pelos franceses em 1830. Em 1911, os italianos - impulsionados pelo desejo de aventura, de novas riquezas e de demonstrar que tinham um valor igualável ao das grandes potências européias - colonizaram a Líbia. Com o advento do fascismo, a ocupação se agravou fazendo com que a população, que era de 1 milhão de habitantes em 1911, caísse para a metade no final da Segunda Guerra Mundial. Durante o pós-guerra, a Itália foi obrigada a ceder a Líbia para o protetorado das Nações Unidas. Em 1951, a Líbia tornou-se pela primeira vez um estado independente. Proclamou-se a monarquia e foi coroado o idoso soberano Idris, dos Senussi. Em 1969, um grupo de oficiais depôs o idoso rei com um golpe não violento. Kadafi tomou o controle do país com uma mistura original de idéias socialistas, religiosas islâmicas e abraçou o crescente pan-arabismo daquele período. O regime de Kadafi empenhou-se em redistribuir as riquezas geradas pelo petróleo para construir casas, estradas, escolas e hospitais. Nos anos 80 houve uma grande tensão com os Estados Unidos, a qual levou ao ataque aéreo dos americanos durante o qual, conta-se, que o estado de espírito e a força do coronel foi comprometida. Após o bombardeamento de 1986, Kadafi iniciou uma meditação solitária no deserto, aparecendo em público raramente. Em maio de 1999 termina - mesmo se oficialmente só de forma temporária - o embargo que (visto o desastre aéreo de Lockerbie do qual a Líbia foi acusada) afastou a Líbia do mundo por mais de 10 anos.O edifício predominante em Trípoli é o Castelo Vermelho Assaj El Hamra que abriga a sede do Museu da Jamahiriya. A imponente estrutura é formada por um labirinto de pátios, corredores e casas, construídos durante os séculos até alcançar 13.000 metros quadrados. No seu interior encontram-se, bem visíveis, os sinais dos dominadores do passado: turcos, espanhóis, Cavaleiros de Malta, italianos e outros. O Castelo Vermelho, graças aos esforços da UNESCO, conserva inumeráveis objetos arqueológicos e históricos incríveis. É um percurso cronológico que se articula através dos séculos: da ocupação romana à árabe, até a história mais recente: estatuinhas do Coronel Kadafi e amostras de petróleo. A parte mais interessante é a dedicada aos mosaicos, às estátuas e aos objetos da idade clássica que formam uma das melhores coleções do Mediterrâneo. Do período romano resta na cidade somente o arco de Marco Aurélio, no trecho da baia ao longo da cidade antiga. Os edifícios construídos durante o domínio da dinastia de origem turca dos Karamanli, a Mesquita e a Casa Karamanli, a Mesquita Gurgi, surgem pouco distante do arco de Marco Aurélio e foram todos edificados entre o século XVIII e XIX. A mais interessante e estranha é a mesquita Gurgi, pois é excessivamente decorada com maiólicas e motivos geométricos que ocupam todas as superfícies, do piso ao pórtico de entrada, e por isso contrapõe-se à absoluta simplicidade e inexistência de adornos dos outros edifícios de culto de Trípoli. Uma outra mesquita interessante é a que se encontra na área da antiga catedral do Sagrado Coração de Jesus. O campanário hoje é um minarete. Mas para compreender o espírito desta cidade, não se pode deixar de visitar a Praça Verde, sempre lotada, com um clima de festa, rica de verde, com a fortaleza e duas colunas altíssimas que sustentam uma embarcação de três velas e uma estátua eqüestre que olha para o mar. Para visitar o "Suk", deve-se entrar na Medina pela Praça Verde e então pode-se imergir no espírito local: o kabab, o café e o narghilè com as suas essências de maça e baunilha. Para ver a Trípoli mais ocidental, deve-se visitar o bairro de Gargaresh, na extremidade sul da cidade: butiques, fast-foods, restaurantes e grandes carros coreanos e japoneses. |
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